Pabllo Vittar se consagra como ícone pop e deseja que sua voz ecoe em mais espaços

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Pabllo Vittar se consagra como ícone pop e deseja que sua voz ecoe em mais espaços

A drag queen com mais seguidores do mundo abre seu coração sobre origens, família e representatividade

A artista e drag queen mais famosa do Brasil, transforma os olhares por onde passa, celebra a força de sua representatividade mundial e ativismo contra o preconceito, além de defender a conquista de mais inserções sobre a pluralidade de gêneros, na grande mídia e nos contextos juvenis. Atualmente com 27 anos, Pabllo Vittar considera-se como um “homem gay que também é uma drag queen e se veste, se comporta e se inspira no que ama”, afirma Vittar.

É considerada atualmente como a drag queen, mais influente do Instagram, e possui mais de 11,2 milhões de seguidores e é fã de animes e do K-pop.

Em entrevista intimista para o Portal ECOA, do UOL, ela revela suas opiniões e reforça o seu posicionamento, diante de questões polêmicas intrínsecas na sociedade brasileira e mantem-se otimista: “Precisamos ver mais o lado bom de tudo, a felicidade das pequenas coisas”, profetiza.

Acompanhe abaixo trechos da entrevista, conduzida por Cristina Judar:

Ecoa – Os olhares se voltam pra você como referência de artista pop, mas também como ativista, de alguém que não “apenas” faz música pop, mas que promove revoluções e influencia multidões. Você sempre teve essa intenção ou isso aconteceu espontaneamente?

Pabllo Vittar – Quando se nasce pertencente a uma minoria, que sofre diversos tipos de violência, é natural que você use sua voz e força pra que essa realidade mude. É algo que é independente de ser artista, é uma luta de todos e é necessária! Hoje consigo “gritar” mais alto usando a minha plataforma, mas não seria diferente se não fosse famosa. Temos que lutar nos grandes espaços e também nas pequenas situações cotidianas que presenciamos, só assim vamos conseguir a mudança necessária.

Ecoa – Em casa, com a sua família, como esse ativismo se mostrou em sua formação e ainda se mostra? Era grande a diferença entre aquilo que você vivia em seu núcleo familiar daquilo que você vivenciava no contato com outras crianças e jovens?

Sempre tive muito apoio da minha mãe, graças a Deus. Tenho ciência que nem todos, infelizmente, contam com isso dentro de casa. E foi muito difícil entender que a aceitação e o respeito que minha mãe tinha comigo não era o mesmo na rua, das pessoas fora da nossa casa. Sofri no começo, mas aprendi que não sou eu o problema e, sim, quem tem no olhar pré-conceitos, julgamentos, ódio gratuito. Eu sou o que sou e sou feliz assim. O julgamento das pessoas sobre mim é um problema exclusivamente delas e não meu.

Ecoa – Você já retornou para alguns dos lugares onde viveu após se tornar uma pessoa internacionalmente conhecida? Como essas cidades influenciaram a sua arte? Direta ou indiretamente, você chegou a desenvolver alguma ação de desenvolvimento ou de apoio local?

Já retornei sim, tenho amigos e familiares em alguns locais. As cidades em que morei me influenciaram muito como artista, seja na estética, na música, nas referências regionais mesmo. Eu tive contato com culturas muito ricas e que formaram o que sou hoje. Agradeço por isso. Sobre projetos, tive sim contato com alguns. Gosto de ajudar projetos nos quais acredito, que eu vejo que fazem a diferença de fato.

 

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Ecoa – Quais caminhos você teve de inventar para si justamente por não encontrar referências? Você acredita que, em alguns casos, a falta de determinadas representações favorece o pioneirismo?

É difícil crescer sem se ver representada na TV, em brinquedos, no cotidiano! Acho que, na maioria das vezes, isso traz um sentimento de “eu não sou normal” para crianças que não se encaixam nos padrões apresentados nas grandes mídias – e isso tem que mudar. Não vejo esse lado positivo, em que muitas e muitas pessoas sofreram e sofrem até hoje para que meu espaço tenha sido conquistado como “pioneira”, até porque não sou. Muitas pessoas vieram antes de mim, quebrando barreiras e abrindo espaços para que eu pudesse estar onde estou e o meu papel é continuar esse trabalho, junto com muitas outras, para que mais e mais pessoas, antes marginalizadas, tenham seu espaço de direitos garantidos.

Ecoa – Algum livro ou filme específico marcou a sua vida? Há algum programa de TV ou série que esteja fazendo a sua cabeça atualmente?

O que me marcou muito, e não é segredo, não foi livro, nem filme. Foi a figura da RuPaul [do reality show RuPaul’s Drag Race] e tudo o que ela representou, todos os preconceitos que ela rompeu. Ela me inspira muito. Sobre o que estou vendo hoje, eu adoro séries em anime, consumo bastante.

Ecoa – Você tem algum ritual, algo simples que faz muito bem a você, no seu dia a dia?

Eu adoro acordar pensando em coisas boas, desejar meu famoso bom dia aos meus fãs, ver como eles estão. Gosto de energia positiva, leve, porque já temos muito problema, muita coisa acontecendo, tudo tão triste. Precisamos ver mais o lado bom de tudo, a felicidade das pequenas coisas.

Ecoa – O que é ser e viver como Pabllo Vittar durante a vigência do governo Bolsonaro?

Não só eu, como todos da comunidade LGTQIA+, sofremos todos os dias com a omissão e o desrespeito desse governo. É um governo para eleitores e não para toda uma nação. Sinto pelo Brasil.

Ecoa – Recentemente, você recebeu o título de “Homem do Ano”, o que acabou dando um nó na cabeça de algumas pessoas em relação às concepções sobre gênero e identidade, naquilo que a sociedade entende como “homem” e “mulher”. Como você vê tudo isso?

Esse nó é necessário! Não é o seu look, a sua forma de agir, a sua postura que define seu gênero! Tudo isso é uma construção da sociedade e que deve ser quebrada! Eu sou um homem gay, que também é uma drag queen e que se veste, se comporta e se inspira no que ama, muito distante dessa barreira de “menino x menina”, pois ela simplesmente não existe.

Relembre e cante os hits da Pabllo, artista que lidera o ranking do Spotify, com mais de 1 bilhão de reproduções: