Urias

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Biografia

Nascida e criada em Uberlândia (MG), aos 26 anos de idade Urias fala sobre representatividade com lugar de fala garantido. Os olhares enviesados que recebia na época de colégio, a perseguição dos “valentões” na saída das aulas e o estigma de “criança diferentona”, aos poucos foram constituindo uma postura de enfrentamento que tempos depois teriam reflexos em sua expressão artística.

O corpo esguio e lábios carnudos levaram Urias às passarelas dos eventos de moda. Como modelo participou do SPFW e Casa de Criadores, estampou a capa digital da Glamour Brasil em 2020 e do manifesto “Moda com Propósito” da Vogue brasileira. Sua incursão pela cena fashion a fez ser escolhida como uma das embaixadoras latino-americanas da marca Adidas. No entanto, sua veia rítmica começa a pulsar em outro campo: a música.

Despretensiosamente, a mineira gravou alguns covers. O primeiro foi “Meu mundo é o barro” do grupo O Rappa, deu certo. Seu nome foi gerando interesse até chegar aos ouvidos curiosos dos produtores Rodrigo Gorky e Arthur Gomes que logo perguntaram se Urias gostaria de ser trabalhada por eles. Era o início profissional de uma jornada de autoconhecimento artístico. “Foi um processo de ganhar confiança no meu potencial musical. Sabe aquele sonho que temos quando criança, mas que ao mesmo tempo vem com a consciência de que talvez possa não acontecer?”, indaga a cantora.

A resposta para o seu questionamento não tarda a aparecer. “Diaba” (2019) –faixa com mais de nove milhões de visualizações no Youtube e seis milhões de plays no Spotify-  integra muitos dos desejos de Urias: lançar algo que causasse uma estranheza estética, uma sonoridade pouco habitual ao mercado fonográfico e letra que expõe a vivência de um corpo trans na sociedade brasileira. “A composição fala de alguém que precisa lidar com a dualidade. Seu corpo gera desejo, mas também medo”, ela diz.

E ser mulher transexual no país onde mais se mata pessoas transgêneras deixam poucas possibilidades de escolhas se não o enfretamento. “Tinha medo de não arrumar emprego, de recorrer a situações extremas e estilos de vida que não me são seguros. Eu me preservei, esperei o momento que estivesse física e financeiramente bem para iniciar a transição. Não contei para ninguém, a princípio. Minha mãe foi observando até o dia que me perguntou e eu confirmei. Foi um choro, mas de afeto, apoio. Foi bonito”. No entanto, a cantora sabe que a transexualidade ainda é tema velado na sociedade. “Da sua família, sou o pilar principal. Aprendi isso em conversa com a Linn da Quebrada quando diz que os pilares escondidos da família tradicional brasileira são o álcool e a travesti. Mas quanto mais repressão a nossa comunidade recebe, com mais força devolvemos a nossa arte. Sou uma artista intensa!”.

E para aqueles que duvidam dessa força, fica o convite para conhecer o próximo single de Urias previsto para meados de outubro.