Gkay é capa da Harper’s Bazaar de outubro

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Gkay é capa da Harper’s Bazaar de outubro

A atriz, humorista e influencer digital contou para a publicação como foi o início da carreira, os desafios de sua trajetória e mais

 

A atriz e humorista GKAY tem mostrado sua veia multifacetada nesta quarentena, fazendo de tudo um pouco e levando diversos tipos de entretenimento ao público que a acompanha em suas redes sociais. Nos últimos meses, ela se manteve ativa em seu canal oficial do YouTube, apresentou alguns festivais musicais através da plataforma, e também se tornou uma das protagonistas do seriado Os Roni, exclusivo da Multishow e que estreou sua terceira temporada em junho deste ano.

Em agosto, a influencer digital também lançou uma coleção de roupas inédita. Em parceria com a marca Overcome, GKAY criou uma linha de moletons (que é uma tendência muito em alta no momento) intitulada Ovecome, by Gkay e que conta com mais de 20 peças de roupa exclusivas. Além disso, também foi a ganhadora do Prêmio Jovem Brasileiro (PJB) de 2020, na categoria Melhor Influencer de Humor.

Todos estes fatores reforçam o extenso talento de Gkay nas mais diversas áreas da comunicação. Não por menos, o reconhecimento da atriz atingiu novos patamares e ela se tornou, neste mês de outubro, a capa da conceituada revista Harper’s Bazaar Brasil. Confira:

 “Fora das câmeras, eu sou como vocês que estão lendo esta entrevista. Uma mulher que tem seus desejos, suas loucuras, suas manias.”, assim se descreve Gkay à Bazaar. Sempre bem humorada, espontânea e sincera, ela ainda brincou sobre sua chegada ao estúdio onde fora fotografada e deu a entrevista: “Eu brinquei com o pessoal que trabalha comigo: ‘Será que o povo não vai desistir lá na hora, não? Chamar outra menina para a capa’?.

Bombando mais do que nunca nas redes sociais – já acumula quase 10 milhões de seguidores só no Instagram e 7,5 milhões no TikTok – a influenciadora contou um pouco como foi o inicio do processo de produção de conteúdos da forma irreverente que só ela faz.

“Sempre tive esse jeito, né? Chegaram a me falar, há uns seis anos, para eu virar blogueira, mas não imaginava. Eu ando descabelada, sou doidinha. Foi depois de ver um vídeo do meu amigo e ídolo Whindersson Nunes feito em uma casa simples, sem camisa, que pensei que poderia ser eu mesma na internet. Me enxerguei naquilo”, revela.

Natural de Solânea, a 130 quilômetros da capital da Paraíba e com pouco mais de 26 mil habitantes, Gkay saiu de casa para viver na cidade grande e fazer faculdade. Apesar de não levar muita coisa na bagagem, conta que sempre teve apoio da família, o que considera ter sido muito importante.

Ingresou em duas faculdades simultâneas, direito e relações internacionais, em paralelo com alguns trabalhos para pagar as contas. Isso porque, quando começou a se aventurar no YouTube – onde hoje possui mais de 1,2 milhão de inscritos – não obtinha quase nenhum lucro da atividade. “Os primeiros, nem permuta me davam. Lembro que meus primeiros ganhos eram todos na casa dos 50, 100 reais, o que para mim era muito dinheiro, mesmo porque eu não tinha. Passava 3 horas no sol entregando panfleto para ganhar 30 reais”.

Coom o passar do tempo, a humorista também foi tomando consciência da influência que tem sobre seus espectadores, principalmente em relação ao papel da mulher. Sabendo que muitas pessoas se inspiram em sua imagem, ela busca sempre levar mensagens de igualdade de gênero em seus conteúdos.

“Prego feminismo nas coisas que eu faço, nos meus atos. É incrível conseguir incentivar outras mulheres cada vez mais”, conta Gessica, que diz ela acreditar muito no poder transformador dos meios digitais. “A internet ajuda muito a se desconstruir porque vivemos em uma sociedade estruturalmente machista”.

Gkay também sofre com o estereótipo criado em cima das mulheres que trabalham com o humor: “Muitos olham para o que eu faço e me taxam de ‘forçada’, de ‘sem graça’. Falam que não sou humorista, que mulher não faz humor”.

Ela revelou também que sofre certo preconceito com questões estéticas, a exempplo de quando chegou a perder mais de 15 mil seguidores em um período de apenas 2 horas, logo após postar uma foto de biquíni. Apesar disso, ela diz não ligar para este tipo de atitude: “Sou uma mulher livre para expor meu corpo da forma que eu quiser. É um conteúdo que gosto, faz parte de mim e é o que eu sou”.

De família humilde, Gessica fica feliz com a mudança que a carreira lhe proporcionou. Agora, ela tem a oportunidade de ajudar financeiramente sua mãe, diversos tios que perderam o emprego por conta da pandemia e banca os estudos de alguns primos.

“Quero pagar um curso de inglês para eles, o que eu sonhava em fazer, mas não tinha condições. Olha que coisa incrível, sabe?”, disse a influencer, que também se dá ao luxo de pagar seus próprios mimos, tratamentos estéticos e tudo mais que tem direito: “Meu padrão de vida mudou de quatro anos para cá, sem sombra de dúvida. Aqui, de natural, só o branquinho do olho porque o resto eu mexi”.

Para a humorista, o que mais fez a diferença em se jogar nessa nova aventura foi a aceitação de seu pai, que apoiou a saída da faculdade para tentar uma profissão menos ‘tradicional’. Segundo ela, seu José falou: “Gessica, pode sair das faculdades e se jogar nesta nova profissão porque tem oportunidades na vida que a gente tem que agarrar. Se não der certo, você volta”.

Infelizmente o pai de Gkay sofreu um infarto fulminante em 2018, que abalou a atriz. “Sumi das redes sociais por um tempo, mas acabei vendo um vídeo de um amigo humorista, o Tirulipa, e foram somente naqueles 30 segundos do meu dia que eu abri um sorriso”.

Segundo Gkay, a visão de seu papel como humorista e influenciadora digital mudou após este episódio. Ela conta que, agora, reflete muito mais sobre sua mensagem para as pessoas: “É realmente necessário impactar pessoas e contribuir para a vida delas porque, às vezes, você pode pensar que ‘isso é só um vídeo’, mas é um afago em meio a tanta tristeza. É, literalmente, rir para não chorar. O humor é uma válvula de escape”.